sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Pra não dizer que não falei do BBB




Ahhh, o Big Brother Brasil... há muito tempo deixei de dar opinião sobre o programa, mas ô troço que rende viu, e porque rende tanto afinal? A priori, o BBB é um programa de TV bem ruinzinho, repetitivo e previsível. Mas até aí, nada demais, afinal existem outros trocentos programas tão ruins ou mesmo piores, na televisão aberta. Pois então, não há nada de incomum na qualidade do programa. Nenhuma vergonha que Márcia GoldsmithRatinho ou Gugu, já não tenham nos feito passar. 

Não gosto muito de falar sobre o BBB, mas quem assim o faz, geralmente é 8 ou 80. Os que gostam falam como se fosse o evento mais importante do mundo; e os que detestam, falam como se quem assiste, cometesse um crime. Qual laranja descascar? sei lá, ambas parecem meio azedas. Mas é justo aí que está o grande debate do BBB. O público que discute sobre o programa, já mudou mais que o próprio. No começo era tudo novo e ninguém falava muito sobre. Num segundo momento, os fãs fizeram dele uma espécie de Copa do Mundo da TV, organizando fanáticas torcidas virtuais e até mesmo reais por alguns participantes. Um monumento a irrelevância, convenhamos, mas se passarinho quer cantar...e veio a reação...

 Com o passar das edições, as redes sociais foram ganhando força, e aí os detratores do BBB começaram a descarregar toda a sua ira sobre o mesmo, chegando ao exagero de confundir o gosto por um programa de TV, com o preconceito de classe, e com uma alegada superioridade intelectual. Virou modinha criticar os telespectadores dos brothers, que mais recentemente também têm usado as redes sociais para contra-atacar, chamando de pedantes, pseudo-intelectuais, hipócritas e outras coisas mais, os membros do grupo oposto.

Bem, acho que todo esse auê sobre o BBB, é meio que um espelho dos nossos tempos. Estamos em plena era de mudanças de valores e costumes, acompanhados e as vezes provocados por um incrível salto tecnológico, que interfere diretamente nas interações sociais e na forma como produzimos e percebemos a cultura.

Afinal, no BBB encontramos mulheres liberais que não tem pudor de andarem seminuas e até mesmo transarem na frente de todos, embaixo de um edredom; temos gays saídos de seus armários sem receio, aparecendo ao vivo na tela; temos pessoas ambiciosas que tão se lixando pra estudar e ter um diploma, mas sim em usar todo tipo de artimanha pra ganhar um grande prêmio em dinheiro em um game show televisivo. E esbarramos com todos eles por aí nas esquinas, e certamente, nas nossas famílias também os encontramos. Pois, alguns valores mudaram ou estão mudando e isso faz com que surjam reações acaloradas dos que não aceitam tais mudanças na sociedade. Só lembrando, que não estou julgando as tais mudanças como boas ou ruins, concordando ou discordando. Estou apenas citando e tentando entender. Também sou mais um perdido no meio dessa loucura.

Então, eu não julgo, mas com apenas alguns cliques na internet, é possível escolher quem sai e fica na casa, ou seja, julgar os participantes. E assim, tantos fazem. Uma cortesia do já falado salto tecnológico que vivenciamos. Enfim, um espelho do nosso tempo. Assim como os debates sobre músicas com pouca letra e melodia, muita apelação sensual e batidas eletrônicas repetitivas versus músicas consideradas com mais "conteúdo" lírico e melódico. Ou entre filmes com enredos banais  em 3D, versus  filmes que se empenham mais em contar uma história criativa e diferente. Em tudo isso, está lá a dupla mudança de valores + tecnologia. 

Não sabemos aonde nada disso vai parar. Não sabemos os rumos desses novos fenômenos culturais, que encontram, sim, reflexo nos novos comportamentos adotados por muitos na sociedade. Aos poucos, ChacrinhaBeatles e Kubrick, vão perdendo espaço no nosso HD, para BBB, "Eu QueroTchu" e Avatar. Mas e aí, isso é ruim? Olha, acho que depende. Primeiro veremos se esses novos fenômenos, apesar de viverem o auge, irão se sustentar por longo tempo, ou sucumbirão frente as novas ondas, empurradas por novos comportamentos.

Sei lá, vai que daqui a 20 anos, a gente fale todo saudoso dos bons tempos do Big Brother Brasil...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Retrospectiva 2012: os destaques, os porra-loucas, as presepadas...


Graças aos Maias serem umas toupeiras em previsões, e nós sermos umas toupeiras em acreditar neles, eis a retrospectiva 2012, na visão do Peixe Antenado. Divirtam-se!

TELEVISÃO
Destaque positivo: Oi oi oi. Precisa mesmo dizer? Avenida Brasil e sua ágil trama que quebrou a tradicional monotonia novelística.
Destaque negativo: Muito Mais. Adriane Galisteu não acerta uma. O programa rendeu barracos, fofocas e problemas com o Ministério da Justiça. Só não teve qualidade e audiência.
Troféu porra louca: Sílvio Santos, again. Ninguém na TV bate o velhinho maluquinho nesse quesito. Neste ano, até de cueca o homem-sorriso ficou em pleno palco.
Presepada do ano: O SBT inventou um troço chamado O Maior Brasileiro de Todos os Tempos. Que resultou na lista mais constrangedora de todos os tempos. Confira aqui.

ESPORTE
Destaque positivo:Arthur Zanetti e Sarah Menezes, por óbvios e olímpicos motivos.
Destaque negativo: Fabiana Murer nas olimpíadas. Bom patrocínio, treinamento de ponta, grandes resultados anteriores, confiança e blablabla. É, só restou mesmo culpar o vento...
Troféu Porra Louca: Adriano ex-imperador. Uma fonte inesgotável de fanfarronices e notícias na imprensa. Jogar que é bom...
Presepada do ano: Palmeiras. Ganhar a Copa do Brasil e logo depois ser rebaixado no Brasileirão, é que nem casar com a Kim Kardashian e separar antes da lua-de-mel Não dá pra gozar nada.

POLÍTICA
Destaque positivo: Senador Randolfe Rodeigues. Jovem e atuante. Apareceu bem em 2012.
Destaque negativo: Lula. Dizer o que né. Cada um escolhe pra si, seus amigos e aliados. Só não dá pra fingir depois que não foi bem assim. Ou que “não sabia” que foi bem assim...
Troféu porra louca: João Henrique Carneiro, agora ex-prefeito de Salvador.  O cabra teve o mandato mais impopular que se tem notícia, e vive falando que o povo quer ele como governador. Tá tomando os remédios mais não, Joãozinho?!
Presepada do ano: Se eu fosse o deputado Candido Vacarezza, usava o seu alto salário, para tomar 2 cursos: um de estratégia política e um de português. Mas liga não deputado, que “nós somos teu”.

MÚSICA
Destaque positivo: O Hip Hop nacional deu uma renovada e tem produzido coisas interessantes. 2012 foi um bom ano pros manos.
Destaque negativo: Axé Music. Desde alguns anos que é o quarto ou quinto ritmo preferido dos baianos. Em 2012, finalmente seus principais atores, tomaram ciência da situação.
Troféu porra louca: Um belo dia, Roberto Carlos acordou e resolveu que era o “cara” mais perfeito do mundo. O resultado foi a música mais non sense e mais discutida de 2012. De quebra, o coroa ainda gravou um funk carioca. É uma brasa, mora?!
Presepada do ano: Leonardo com Paula Fernandes. Zezé/Luciano com Jorge /Mateus. Victor/Léo contra todos os “universitários”. 2012 foi o ano dos sertanejos encherem o saco de todos, com suas picuinhas.


CELEBRIDADES
Destaque positivo: Murilo Benício. O cara começa o ano como corno da vilã, na novela, e termina o ano pegando a mocinha, na vida real. Esse é gente que faz.
Destaque negativo: Nicole Bahls e Victor Ramos. Na boa, ninguém quer saber (ou aguenta mais) o que vocês fazem ou deixam de fazer. Uma típica evasão de privacidade.
Troféu porra louca: Rita Lee. Tanta gente querendo aparecer e sem saber como.Titia Rita foi lá e mostrou a velha forma(literalmente) de se fazer isso. Mostrou a bunda  em seu retorno aos palcos. Viva o Rock and Roll.
Presepada do ano:Nana Gouveia e suas fotos fora de hora, pós-furacão Sandy. Alguém tem que sugerir a ela, a Faixa de Gaza em dia de bombardeio pra tirar fotos. Aliás, melhor não sugerir nada. Vai que ela vai mesmo né.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Ainda brilhando...

Em breve, muito breve, esse blog chegará, talvez, ao seu final.

Assim, o post mais tradicional desse espaço não poderia faltar nessa reta decisiva. Ou não!

FELIZ NATAL a todos que chegaram até aqui!

Que a luz continue brilhando!

p.s. não entendeu que luz tradicional é essa? clique aqui, aqui, e aqui. Ou no play.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A dança dos que ficam parados

Na semana passada,  o prefeito eleito de Salvador, ACM Neto, se encontrou com os artistas da Axé Music para um evento, e dentre outras coisas, anunciou um segundo carnaval durante a Copa do Mundo de 2014, o que deixou os cantores felizes e sorridentes.

Ora, mas essa artistagem baiana é mesmo sui generis...

Os caras tem o status de ídolos, de representantes culturais de Salvador, são elogiados de forma até exagerada para os méritos artísticos de alguns deles e tal e coisa.
Aí Salvador vira um caos, com uma política administrativa que gerou destruição e decadência nos últimos anos, e o qual a reação dessa turma? nenhuma..

Em qualquer lugar do mundo, artistas e intelectuais são os primeiros a se posicionar quando a sua cidade/lugar passa por problemas. Nesses anos ingratos, não ouvimos desses grandes ídolos, uma crítica, uma fala contundente pedindo providencias, uma música de protesto que fosse, contra a forma de gerir a cidade. Nada.

Na eleição para prefeito, acirrada e polarizada, enquanto diversos setores da sociedade soteropolitana davam opiniões sobre os candidatos e apontavam caminhos para o futuro de Salvador, não ouvimos nenhum deles abrir a boca para dizer nada. Pelo contrário, continuaram esses anos todos cantando suas músicas que remetem Salvador como a “capital da alegria”, “terra da felicidade” e outros blablablas de verão, como se nada estivesse acontecendo.

Aí, quando já sabemos quem é o prefeito, e passamos a esperar ansiosos pelo que Neto vai fazer com o trânsito, com a saúde, com o asfalto, iluminação, lixo e transporte , essa turma aparece toda sorridente, posando para fotos com o novo prefeito, porque vão receber de presente mais um carnaval para ganhar ainda  mais dinheiro com essa felicidade plastificada em 4 ou 5 acordes.
Parafraseando o filósofo, cada povo tem os ídolos que merecem...

p.s. 1 isso nada tem a ver com a qualidade artística que possuem(nem todos...), mas sim com a atuação social que se espera de quem goza de tanto prestígio.


p.s.2 também não tem a ver com gostar ou não de 1 carnaval ou 2, e sim, com as posturas dessa turma perante a sociedade local e seus problemas.


p.s.3 atualizado em 28/03/2014. Pelo visto, ganharam e vão ganhar bem mais do que um carnaval extra.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Esse cara é o Roberto


A internet é um território dominado pelos mais jovens, por aqueles que já nasceram plugados num computador. E nada mais normal, com tantas novidades tecnológicas mutantes, que os ícones artísticos da grande rede, sejam os preferidos da turma entre 15 e 30 anos. 

E quando o assunto é música, qualquer espirro de cantores como Luan Santana, Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Restart, Nx Zero, funkeiros e duplas sertanejas universitárias, vira um “trend topic”. Artistas mais “clássicos” da MPB, rendem pouco assunto, o que talvez, seja natural. Até porque, essa nova geração não se importa com nada que tenha vindo antes dela. Parece que acabou-se aquela coisa de buscar entender o que se passou antes, para uma maior compreensão do mundo.

Mas não é que um cantor de 70 anos virou assunto no mundo virtual?! Roberto Carlos

O rei, ao lançar a música Esse Cara Sou Eu, deu uma chacoalhada nas redes sociais. Seja no Twitter, no Facebook, nos blogs, sites, emails, enfim, todos dão pitaco sobre a música-tema da novela das 8. Principalmente as mulheres, que questionam se realmente é possível encontrar um homem com tantas qualidades como o personagem da canção. Charges, piadas, e até análises psicológicas do “cara”, pululam em todo canto do www no Brasil.

De repente, o velho Roberto passou a ser comentado não apenas porque a vovó todo sábado coloca unas músicas esquisitas sobre cachorros que sorriem ao latir, mas por sua utópica canção, que mexeu com mulheres e homens, dos 18 aos 80. Pode-se não gostar da referida canção, achá-la ridícula, mas o fato é que ela se intrometeu na pauta dos modernos internautas.

Pois é, o antigo e o moderno podem perfeitamente conviver. Podem aprender um com o outro. Já tinha tido essa percepção em torno de uma outra música do Roberto Carlos. Em ums cena do filme Meu Nome Não É Johnny, em que Selton Mello canta, com uma roupagem nova, o clássico romântico Outra Vez. É, parece que o cara é mesmo o Roberto.




sábado, 17 de novembro de 2012

Admirável homem novo (em tempo real)


Não adianta se esconder. Mais cedo ou mais tarde, a tecnologia vai te pegar, te clicar, te emoldurar para a posteridade virtual. E se ninguém fizer isso com você, também mais cedo ou mais tarde, você mesmo fará.

É irresistível. Se eu faço uma viagem, posto as fotos na internet. Se estou dirigindo, posto como estão as condições do trânsito. Se estou fazendo uma prova, como o ENEM, posto também, ainda que seja desclassificado por conta disso. Mas quem resiste? Queremos mesmo é estar conectado. Ter a nossa vida plugada, observada, percebida, sentida.

Teorias mil, de especialistas mil, explicam este fenômeno melhor do que eu saberia dizer. Assim, reservo-me o direito de não enumerar os seus porquês. Vai ali no Google, que ele explica, é rapidinho. Ele é uma espécie de matéria obrigatória de escola primária, para quem está sendo pego somente agora, pela onda high tech.

Onda não, já é muito mais que isso. É uma realidade que não mais retrocederá. Se alguém não mora num paraíso perdido, destes poucos que ainda existem, tem a sua rotina totalmente ligada, mesmo que não queira, a computadores, conexões, e infinitas maquininhas capazes de coisas que os mais velhos só imaginavam em filmes de ficção científica. Aliás, falando nisso, acho que mais dia, menos dia, estaremos que nem no filme Matrix, sem saber o que é real ou não.  E será capaz de ninguém querer a pílula vermelha. Isso não é uma crítica ou um temor, é apenas uma quase constatação.

Acho que em breve, homem e máquina se confundirão. Quem sabe, se fundirão. Se isso acontecer, pelo menos não teremos trabalho para colocar fotos da nossa vida vegetativa nas redes sociais. Nossos circuitos internos serão capazes de saber quem fez o quê e aonde, através de conexões ultravelozes. Nem será preciso curtir ou retuitar. Bastará estar ligado na tomada.

Que bom, assim poderei descansar meus olhos de robô...



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cadê as elites que estavam ali?

Nesta semana que se inicia, serão julgados pelo STF, na Ação Penal 470, mais conhecida como caso do “mensalão”, as figuras de maior destaque político dentre todos os réus do processo. José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, todos integrantes da alta cúpula do PT á época.

E aqui e ali, já começaram a subir o tom das vozes tanto na imprensa quanto no meio acadêmico, em defesa dos acusados. Até aí, tudo bem, é sabido que o PT tem boas relações com parte da imprensa, assim como outras forças políticas também possuem os seus no meio, e praticamente domina o meio acadêmico desde a fundação do partido. Ocorre que um dos principais mantras petistas, cantado durante anos, e que em momentos como o atual resurge, não cola mais, para quem ao menos tenta ver o partido sem filtros, o mantra é o seguinte: O PT luta contra as elites que querem acabar com o PT. Ou algo próximo a isso.

Esse discurso de que existe uma elite que sabota o governo do PT bem como os principais líderes do partido é de uma falta de conteúdo, que não sei como alguns intelectuais tem coragem de abrirem a boca para proferi-lo. Ora bolas, num país de imensa maioria de pessoas pobres, é um dos truques óbvios, afinal, quem quer se identificar como elite? a dita imensa minoria dominante e preconceituosa. Só que, depois de chegar ao poder, o PT já não pode mais assumir para si esse discurso, que revelou-se com o passar do tempo, meramente teórico. Que raios de elite é essa que os petistas tanto falam.

Seria aquela elite da qual figurões do partido como José Dirceu, Antônio Palocci, dentre outros, prestam consultorias a grandes empresários?! Ou será que seria aquela velhíssima elite oligárquica ligada a políticos como José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros e Delfim Neto, todos aliados até o talo com o governo petista? Ou será que são os donos de grandes construtoras doadoras de campanhas políticas, que fazem do PT um dos partidos que lideram a arrecadação nestas eleições?! E nesta última linha está a chave de tudo. O PT hoje é apenas “um dos” e mais nada. É só mais um partido que quer ganhar eleições, como todos os outros.

Nem vale a pena entrar no mérito de uma mudança de rumo do petismo, mas o fato é que, parte da elite apoia, confia, e vota no PT, bem como parte da classe média e parte da camada mais baixa. E o mesmo ocorre com os outros partidos e seus líderes.

E mesmo a parte da elite que não se afeiçoa ao PT, o que é mais que legítimo numa democracia, não pode responder pelas ações de indivíduos ligados ao partido. A justiça que julgue e faça aquilo que é previsto no ordenamento e pronto. Não estamos num estado de exceção, para se conclamar uma luta de classes direta inexistente, da qual um grupo se coloca como defensor dos mais fracos, enquanto afaga carinhosamente os mais fortes.

Da próxima vez que algum teórico do partido atacar as elites de conspiração, por favor, faça como os Titãs. Melhor dar Nome aos Bois. É ao menos, mais digno.






terça-feira, 4 de setembro de 2012

Será?


O julgamento do Mensalão pelo STF, tem provocado uma sensação "estranha" em quem se importa com as coisas da república. É que até agora, cinco"peixes graúdos", entre empresários e políticos, foram condenados.

Será que realmente veremos aquilo que só vemos em outros países ou em filmes? Gente grande sendo presa por corrupção? Sem filosofar sobre os detalhes processuais da Ação Penal 470, tomara que sim, que sejam condenados, desde que tudo fique devidamente provado, claro.

Pouca gente tem atentado para o fato de que o resultado deste julgamento pode ser um divisor de águas na história brasileira. E que depois dele, se os condenados em parceria com seus poderosos advogados, não inventarem nenhum truque jurídico (já tem gente pensando nisso), muta gente que mexe com dinheiro público, repense seus atos, desejos e formas de enxergar a coisa pública, que no Brasil, é considerada "de ninguém", e que por isso pode ser de "alguém", quando não deveria ser de ninguém por ser de todos.

Depois da ditadura, conquistamos eleições diretas, vencemos a inflação, fortalecemos algumas instituições, mas ainda faltava algo. Na música Vossa Exelência que os Titãs fizeram em 2005, justo por causa do, vejam só, mensalão, um vociferante Paulo Miklos berra que "um dia o sol ainda vai nascer quadrado".

É, parece que estamos muito próximos disso acontecer. Próximos de avançarmos rumo a consolidação da democracia no Brasil.

Será? se for, vamos arrumar vossas acomodações execelência...



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Não falta apoio, falta educação

 Se o assunto é a participação brasileira nos Jogos Olímpicos, logo aparece a frase clichê sobre o tema; "falta apoio". Ou a sua variante, "falta investimento". Mas será que falta mesmo?

Desde 2001, foram investidos R$ 970 milhões de dinheiro público, repassados ao COB, e repartido (ou não, vai saber...) com as federações esportivas. Investimento no chamado esporte de alto rendimento. Ou seja naqueles que já são atletas. E tudo isso pra que? Pra ganhar medalhas? Pra fazer propaganda ideológica de nosso "regime"?

Pois é isso que fazem alguns países, notadamente os comunistas como China e Cuba, que investem na formação de atletas de alto nível, para ganhar através do esporte, a simpatia da comunidade internacional, e tentar fazer com que todos esqueçam do lado sombrio de seus regimes políticos. No nosso caso, serve ao histórico e famigerado "pão e circo".
Enquanto isso países como os Estados Unidos, que quase sempre vence a disputa no quadro de medalhas, investe na base do esporte. Lá o esporte é inserido desde a educação básica, e vai até o ensino superior. Aliás, é interessante comparar as 10 primeiras posições do quadro de medalhas, com os países que mais tem universidades no top 100 de rankings especializados de desempenho das mesmas. Veja o desempenho da Coréia do Sul nas 2 últimas Olimpíadas, e veja o quanto que esse país investiu em educação nos últimos anos.

E aí, de que adianta investir muito dinheiro pra formar uma equipe pra disputar o 4x100 metros rasos, quando a grande maioria de nossas crianças e jovens só conhecem o futebol como esporte. Quantas piscinas, tatames, ginásios e pistas de corrida existem nas escolas e universidades públicas? Quantos centros poliesportivos públicos ou privados existem Brasil afora, integrando a população ao esporte, formando cidadãos mais saudáveis física e mentalmente? Pois é...

É preciso que se entenda de uma vez por todas, que uma política de esportes eficiente, é aquela em que o esporte é posto como inclusão social, formação cidadã e relacionada a hábitos saudáveis e qualidade de vida. As medalhas são apenas consequência disso. Enada mais fáild e conseguir esses objeticos do que atrelar o esporte a educação. Ou alguém acha que o Barack Obama abre o cofre visando ganhar medalhas para os americanos ficarem felizes? Nada disso, eles sabem muito bem o que é esporte desde cedo. Enquanto isso, continuamos perdendo crianças e jovens para o crime organizado, quando elas poderiam estar praticando esporte e pensando em competições estudantis, ao invés de pensar besteira.

Assim, continuamos a ser o país da novela, o verdadeiro esporte mais praticado pela população brasileira, cuja imensa maioria jamais trocaria um capítulo do folhetim das 8, para ver um jogo de basquete ou handebol, mas adoram cobrar resultados olímpicos e "investimento" em atletas de ponta. E depois não sabem porque Charles De Gaulle disse o que disse.

terça-feira, 24 de julho de 2012

1 ano com Amy

No dia de ontem, completou-se 1 ano da perda da cantora britânica Amy Winehouse, vítima de não se sabe bem do que, até hoje. O que se sabe é que Amy tinha muitos problemas com drogas ilícitas, e principalmente com álcool. Não preciso explicar como sua vida era e/ou como era transmitida quase que em tempo real por diversas mídias, pois qualquer um minimamente informado, sabe.

Não sei lá fora, mas no Brasil, lugar onde adoramos rotular pessoas para mais fácil e falsa compreensão, Amy era quase sempre vista como a celebridade gringa viciada e barraqueira. Bom, não que ela realmente não fosse isso, também. Mas era mais, muito mais.

Com sua voz fabulosa, estilo próprio, letras instigantes e uma super banda de apoio, Amy trouxe uma nova roupagem para o Soul, R&B e até mesmo o Jazz. E conseguiu isso aliando também sucesso comercial. O disco Back to Black já vendeu 13 milhões de cópias até o momento, sem falar nos 5 prêmios Grammy que recebeu.. Mas por essas bandas, o seu lado musical quase sempre foi deixado de lado. Basta dizer que o lado mais controverso da cantora chegou a ser retratado ridiculamente em um quadro fixo de um programa de humor duvidoso. Aquele mesmo que invadiu o seu velório para fazer graça, como se tivesse alguma. Nos programas diurnos de fofoca, dia sim, outro também, tava lá a Amy sendo mostrada, debatida, julgada. E as suas qualidades musicais? Bom, num país em que canções onomatopéicas, são chamadas de fenômenos, dá pra perceber a importância artística que uma cantora de Soul deve ter por aqui...

Quando de seu fim trágico, foram muitas as manifestações moralistas que sempre surgem nessas ocasiões  falando do seu vício, do seu comportamento, do seu péssimo exemplo e outros blablablás. Ninguém com juízo em dias, dirá que a vida de Amy fora das suas belas canções, era realmente digna de se admirar, mas a questão é: quem disse que artistas tem que dar bom exemplo?  Não era parente, nem amigo de Amy, logo importava mais a sua música, o seu talento, e não sua vida pessoal. Ela, e qualquer outro, poderiam/podem fazer o melhor disco de todos os tempos da última semana, mas se protagonizar um barraco, vão falar disso o tempo todo sem se escutar sequer uma música do tal disco. A menos que seja cantora de Axé, pagodeiro, funkeiro ou dupla sertaneja. E olhe lá, pois esses têm também sua vida pessoal colocada em primeiro plano.

Enfim, todos diziam que Amy era má, diziam que ela devia ser boa. Mas ela nunca quis ser boa, como diz na espetacular You Know I'm No Good. Se isso é bom ou ruim, não sei e pouco importa, o que importa é a música. E se hoje lamentamos 1 ano de sua ausência, é por causa da falta que faz, alguém capaz de criar canções como essa. Canções de uma artista, que tal qual Joplin e Hendrix, teve uma carreira curta, mas que será eternizada pelo talento. Eternização que completou 1 ano. Parabéns pelo seu primeiro aniversário no rol dos imortais, Amy.



domingo, 15 de julho de 2012

Curto-circuito: O tal do 4D


Inaugura-se mais um shopping na cidade e pronto.

Lá se vão hordas de gente atrás das “mudernidades”, dentre as quais, uma sala de cinema 4D. Peraí, 4D? o que houve com o 3D? foi aposentado por invalidez? A impressão que tenho é que cada vez mais as pessoas se importam com números que são propagandeados pela mídia. Se fulano tem um iPhone 123, e lançam o iPhone 124, ele fica desesperado para comprá-lo ainda que não precise.  Querem o tempo todo estar na moda, estar “por dentro” das novidades, mesmo sendo desnecessário. Sempre me pergunto quando foi que as pessoas ficaram loucas.

Não que eu ache que deveríamos voltar aos tempos das cavernas e acender tochas, mas acho que o grau de prioridade e importância que damos a pequenos saltos tecnológicos, é por demais, exagerado. Ver um filme com uma dimensão a mais, vá lá, pode ser legal, mas fazer disso, um objeto de desejo maior do que a própria arte do cinema, é um mero capricho consumista.

Pois o tal shopping foi inaugurado e todos na cidade comentam, em tom de lamentação, os absurdos preços para se assistir um filme na tal sala 4d. Pois não assista ué. Nem sua vida, nem o filme vão ser melhores por conta disso. Se o número de dimensões que se vê na projeção de um filme importa mais que todos os seus aspectos técnicos e artísticos, é porque o filme em si não importa muito, e sim contar para todos que pagou 50 pratas pelo tal 4D. O tal do status. O tal do “estar na moda”. A tal da bobagem glorificada. Acho que se botarem no cinema, um vídeo caseiro malfeito do Youtube em 3 ou 4D, vai ter quem pague caro para assistir

Quando ficamos loucos eu não sei, mas esse circuito cinematográfico onde números são o mais importante, não me atrai. Afinal, o que faço com esses números?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Risada Sonora - Enfiando um palavrão

E o Risada Sonora volta depois de séculos, a dar as caras por aqui. E volta de onde parou, com uma música do Ultraje a Rigor.

Pois é, Lula virou amigo de Maluf, o Corinthians ganhou a Libertadores, e Fátima Bernardes não dá mais audiência. Sendo assim, não temos mais assunto como antes, e pra lavar a alma da galera entediada, só mesmo enfiando um palavrão pra garantir o refrão.

Quem não sabe, bate palmas, mas quem sabe clica no play pra curtir o clipe da irreverente Nada a Declarar, sucesso de uma das fases mais divertidas do grupo de Roger Moreira.

Ah, já ia esquecendo...é...ah...cu.



Ultraje a Rigor/Nada a Declarar/ Roger Moreira



Eu tô sentindo que a galera anda entendiada
Não tô ouvindo nada, não tô dando risada
E aê, qual é? Vamô lá, moçada!
Vamô mexe, vamô dá uma agitada!
Esse nosso papo anda tão furado
É baixaria, dor de corno e bunda pra todo lado
Eu quero me esbaldar, quero lavar a alma
Quem saba, sabe; quem não sabe bate palma
E pra celebrar a nossa falta de assunto
Vamô todo mundo cantá junto (Ueba!)
Eu não tenho nada pra dizer
Também não tenho mais o que fazer
Só pra garantir esse refrão
Eu vou enfiar um palavrão (Ah..Cu)
De novo... Cu