sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E o Brasil entrou na Idade Média...

Dizem que o Brasil é um país atrasado. Pois isso nunca fez tanto sentido como agora. Não vou me estender explicando o que vem acontecendo no segundo turno da eleição presidencial brasileira porque todo mundo sabe. De uma hora para outra, o moralismo religioso passou a ser a principal questão de urgência nacional, embutida na polêmica da descriminação do aborto.
Propostas para saúde, segurança, empregos, infra-estrutura e principalmente educação, não são mais relevantes para se tornar presidente, o importante agora é ter as bênçãos de padres e pastores e suas respectivas massas de manobra, digo fiéis. É bom deixar claro que a candidata da estrelinha possui diversas características políticas que não a qualificam para o cargo, assim como o candidato do tucaninho também (qualquer um que ganhar estamos fritos). Só que seria menos vexaminoso se os candidatos se esforçassem debatendo assuntos de real interesse para a nação.
Mas tal qual na Idade Média, o clero entrou em cena, motivado sabe-se lá pelo que, e passou a ditar o que espera do novo rei, assim como era feito no absolutismo. É bom avisar aos que dizem que religião é importante sim e que tem que ser discutido (haja jornalistas tendenciosos), que o fato de um candidato ter crença em X ou em Y não vai fazer com que o grosso da população passe de semi-analfabeta para expert em matemática, só pela fé. E o pior de tudo é ver a estrelinha e o tucaninho se sujeitando a isso ao ponto de correrem para qualquer missa/culto mais próximo sempre que ligam uma câmera perto deles. Patético.
E sobre a tal pseudo-polêmica do aborto, tem uma maneira bem fácil de resolver a questão: é só dar educação e condições dignas de desenvolvimento para as famílias se estruturarem que o número de casos cai uns 90%. E nenhum santo ficará ofendido. Mas a julgar pela quantidade imensa de eleitores decidida a guiar seu voto pela questão moralista, dá para inferir porque a Santa Inquisição brasileira não grita em favor da educação dos fiéis. É, o feudalismo ainda não acabou.
Para ilustrar musicalmente esse post, vamos dar uma olhada no clip e na letra de Eu Não Matei Joana D’arc  do Camisa de Vênus, um rock divertido em alusão a heroína francesa condenada e queimada viva por heresia em 1431. Faz muito tempo? Talvez não. É só dar uma olhada nos novos tempos velhos ao nosso redor.

p.s. a letra diz: uma rede internacional, iludiu aquela menina, prometeram a todo custo transformá-la em heroína... interessante coincidência não é mesmo?!!

Música: Eu Não Matei Joana D'arc
Artista: Camisa de Vênus
Composição: Marcelo Nova/Gustavo Mullen

Eu nunca tive nada
Com Joana Darc
Nós só nos encontramos
Prá passear no parque...

Ela me falou
Dos seus dias de glória
E do que não está escrito
Lá nos livros de história...


Que ficava excitada
Quando pegava na lança
E do beijo que deu
Na rainha da França...

Agora todos pensam
Que fui eu que a cremei
Mas eu não sou piromaníaco
Eu juro que não sei...


Ontem eu nem a vi
Sei que não tenho um álibi
Mas eu!
Eu não matei
Joana Darc...


Eu nunca tive
Nada, nada, nada
Com Joana Darc
Nós só nos encontramos
Prá passear no parque...

Ela me falou
Que andava ouvindo vozes
Que prá conseguir dormir
Sempre tomava algumas doses...


Uma rede internacional
Iludiu aquela menina
Prometendo a todo custo
Transformá-la em heroína...

Agora eu tô entregue
À CIA e à KGB
Eles querem que eu confesse
Mas eu nem sei o quê...


Ontem eu nem a vi
Sei que não tenho um álibi
Mas eu!
Eu não matei
Joana Darc...


3 comentários:

  1. Realmente, muito foda as comparações.
    Faz sentido mesmo, infelizmente!
    E a música tem tudo a ver!
    Um abraço.

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